ADVOGADOS DE LULA TUMULTUAM AUDIÊNCIA DE TETEMUNHAS SESSÃO FOI MARCADA POR UMA SÉRIE DE INTERRUPÇÕES E BATE-BOCA

TIRARAM A CALMA DE MORO

STF mostra que a Justiça tarda, mas não chega

Josias de Souza

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O Supremo Tribunal Federal demonstrou nesta quinta-feira que a Justiça não é apenas cega. Sua balança está desregulada. E a espada perdeu o fio. Formou-se no plenário do Supremo uma maioria de seis votos a favor do entendimento segundo o qual réus não podem ocupar cargos situados na linha de sucessão da Presidência da República. Porém, antes que o veredicto pudesse ser proclamado um dos ministros, Dias Toffoli, pediu vista do processo. Adiou-se o desfecho do caso para uma data indefinida. Costuma-se dizer que os ministros do Supremo estão sentados à direita de Deus. No caso de Toffoli, ficou entendido que, o ministro está sentado ao lado de alguém que se considera acima de Deus. O adiamento do anúncio do veredicto que veta a presença de réus em cargos que podem levar seus ocupantes ao exercício da Presidência beneficiou uma única e suprema divindade: o presidente do Senado Federal. Ao protelar o veredicto, o Supremo estendeu um tapete vermelho para que Renan Calheiros desfile seu rastro pegajoso de processos no comando do Senado até fevereiro de 2017, quando termina sua presidência. O senador responde a 12 processos no Supremo. Uma denúncia que poderia convertê-lo em réu aguarda por um julgamento há 3 anos e oito meses. Ao poupar Renan, o Supremo ajuda o investigado. Socorre também o governo Michel Temer, que trata o encrencado como herói das reformas no Senado. A Suprema Corte só não ajuda à sociedade brasileira, atormentada pela constatação de que a Justiça tarda, mas não chega.

Lula cutuca país com o pé e reclama da mordida

Depois de fugir das urnas de São Bernardo do Campo para não ter de optar entre um candidato do PSDB e outro do PPS, Lula reapareceu nesta terça-feira. Discursou para alunos da Universidade Federal de São Carlos. A certa altura, declarou: ”Cada vez mais, em vez de negar a política, a gente tem que fazer política. Porque a desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta. E quem gosta é sempre a minoria, é sempre a elite.”

A manifestação de Lula é uma reação ao azedume que o eleitorado despejou sobre as urnas municipais de 2016. A acidez dos brasileiros dissolveu o PT. O partido elegera 638 prefeituras em 2012. Agora, além de vencer apenas em 254 municípios, o PT foi expurgado de vitrines como São Paulo. Lula queixa-se sobretudo do triunfo de candidatos que se apresentaram como não-políticos —João Doria, por exemplo— e do grande número de abstenções e votos nulos.

O que o morubixaba do PT ainda não enxergou é que, ao ”negar a política”, o brasileiro está fazendo política em estado bruto. Foi a forma que um pedaço da sociedade encontrou para informar que está de saco cheio de ser “governado por quem gosta de política” do jeito que Lula e o PT a praticaram nos últimos 13 anos. Eleito para fazer diferente, o petismo fez muito pior. Produziu ruína econômica e corrupção em escala industrial.

Lula ainda imagina ser protagonista de um épico. Mas, na verdade, tornou-se personagem de um filme de classe B. Nele, Luís Inácio, no papel de Lula, é um homem convencido de que sua missão divina o torna credor de certos privilégios. Nesse enredo, empreiteiros são escudeiros providenciais. Com as as algibeiras recheadas com verbas do petrolão e do BNDES, livram Lula de cuidados banais, como o pagamento da conta das reformas do sítio e do tríplex, a montagem das cozinhas planejadas, a instalação do elevador privativo, o guarda-volumes para as tralhas…

Ao discursar para os estudantes, nesta terça, Lula chegou a ensaiar uma caída em si. ”Estamos numa crise agora? Estamos. Temos responsabilidades? Temos. Fizemos erros? Fizemos.” Mais um pouco e o morubixaba do PT admitiria que a política que praticou nos últimos anos é a causa do desalento nacional. Criticar os efeitos sem expiar as culpas apenas aumenta a raiva da plateia.

Ao converter suas coalizões em organizações crimimosas, ao transformar o PT em máquina coletora de verbas, ao eleger e reeleger uma supergestora de fancaria, ao minimizar um flagelo econômico que colocou no olho da rua 12 milhões de brasileiros, ao fazer tudo isso, Lula cutucou o país com o pé. Agora, não pode se queixar da mordida, uma boa reação política contra as ofensas da má política.

O peitinho secou

A perda das boquinhas de nomeados pelo governo do PT foi tão expressiva que derrubou o valor médio dos aluguéis em Brasília. A queda foi superior a 10%. Durante o processo de impeachment, de abril a agosto, até Dilma Rousseff ser destituída do cargo em definitivo, os aluguéis caíram progressivamente, segundo profissionais do setor imobiliário, até o quadro atual de excesso de oferta de imóveis.

APÓS CUNHA, PRISÃO DE LULA SERÁ ‘CEREJA DO BOLO’

Lula e cunha
Mais do que demolir o discurso de “perseguição” ou “caçada judicial”, a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha abre caminho para a prisão do ex-presidente Lula, que, iminente, será “a cereja no bolo” da Lava Jato, segundo expressão de um dos investigadores. Preso por ordem do juiz Sérgio Moro, que Lula acusa de parcialidade, Cunha é para o PT o seu “inimigo nº 1”. Agora, os petistas terão de procurar outra explicação para as três ações de corrupção em que Lula é réu, na Justiça Federal