A negociata na compra de cinco submarinos franceses ainda provoca indignação na Marinha. O objetivo do governo Lula, suspeitam oficiais submarinistas, não era equipar a Marinha, mas fazer a Odebrecht faturar. O Brasil teve de adotar uma “família” diferente de submarinos, a classe Scorpène francesa, considerada inferior aos novos modelos alemães. O Brasil já utilizava submarinos de concepção germânica.
A contratação da Odebrecht (sem licitação) pela estatal francesa DNSC foi “condição” do governo Lula para fechar a compra dos submarinos.
A DNSC foi acusada de pagar propina a integrantes dos governos da Índia e da Malásia para vender os mesmo submarinos de segunda.
A compra dos submarinos franceses, inferiores aos alemães, custará ao Brasil R$ 31 bilhões. E garantiu R$ 3,3 bilhões à Odebrecht.
O contrato bilionário dos submarinos fez a Odebrecht espargir propina. Só um ex-executivo confessou haver entregue R$17 milhões a petistas.

EU NÃO VOTO MAIS EM VOCÊ, DEPUTADO

 
CRÔNICA: DOUGLAS MENEZES
Eu não voto mais em você deputado. Porque você aposta na memória curta do povo, quando sonega direitos conquistados com muita luta, num sacrifício que custou vidas e anos de sofrimento. E mesmo assim, sem levar isso em conta, só enxerga os trinta por cento para quem se deve governar. Você faz um mandato de remendos. Emenda o que não presta para o povo pra se sair melhor na fita. É oportunista ao votar contra algo que se tornou fato consumado. No fundo, fica em paz com a consciência pelo desgaste do outros. Você não vive o país real, deslumbrado pelo artificialismo de Brasília, que desconhece as alegrias e as dores do dia a dia do povo. Fala das bases como mais uma coisa, se emociona de mentira, pois na verdade é frio e calculista, faz conta de como vai chegar lá de novo, e nesse modo de enganar tão próprio de nossos políticos vai seguindo a vida falando em ética, mas apegado às benesses de uma mandato cuja salário já é exorbitante e fora da realidade dos que batalham pela sobrevivência no cotidiano.
Eu não voto mais em você, deputado, que se mostra orgulhos, arrogante até , por conquistas onde o mérito não é seu, mas baseadas na despolitização, no fisiologismo, nas esmolas dadas aos mais carentes, no dinheiro das grandes corporações, dos já tão poderosos que irão cobrar de você a atuação e proteção dos seus interesses. Você não tem mérito nisso, porque, na verdade, investe no quanto pior, melhor, na concentração imoral de renda que esse país ainda ostenta e parece não ter fim. Você que não conhece as manhãs de chuva, as tempestades sem sol que a maioria passa, pois não lhe dói o desemprego e a falta de comida na mesa de quem nada tem.
Pois eu não voto mais em você, deputado, porque até a ignorância mais renhida chega ao limite um dia. E você enrolado nos escândalos, hipócrita, ainda fala em nacionalismo, em pátria, cujo sentido você não conhece. O sono um dia acorda, mesmo que tarde, para que se veja um horizonte diferente junto com os outros. Eu não voto mais em você, deputado.
Douglas Menezes,

21 de Abril de 2017.

Palocci faz 1ª reunião para delação com a Lava Jato

Folha de S.Paulo – Bela Megale e Letícia Casado

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci deu o primeiro passo para sua delação premiada. Há cerca de duas semanas ele teve uma reunião com a força-tarefa de Curitiba na Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde setembro de 2016. Pessoas ligadas a Palocci dizem que os principais temas que o político pretende tratar envolvem corrupção de empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras. Na lista também há fatos ligados ao ex-presidente Lula – de quem ele defendeu interesses econômicos – e às campanhas do PT. Também estava na reunião com a força-tarefa da Lava Jato o delegado Felipe Pace, que conduziu investigações que prenderam o político. Desde 2016 a PF não participa de delações negociadas pelo MPF e PGR (Procuradoria-Geral da República).Há um ano, o procurador-geral Rodrigo Janot entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para proibir a PF de negociar delação premiada. Segundo a Folha apurou, a sugestão para que a PF sentasse à mesa partiu do empreiteiro Marcelo Odebrecht, que assinou delação em dezembro. Ele e Palocci estão presos na carceragem de Curitiba.Marcelo teria dito que enfrentou problemas em temas da delação sobre os quais os procuradores não tinham tanto conhecimento. Ele teria argumentado que a PF pode ajudar a dar foco em assuntos mais relevantes, daí a tentativa de Palocci de incluir os federais em seu acordo.A colaboração com o MPF é vista por especialistas como mais vantajosa, já que nela pena e multa são determinadas na negociação. Porém, dividir as tratativas com outro órgão pode ajudar a reduzir a pressão dos procuradores sobre o potencial delator.O advogado Roberto Batochio, que além de Palocci defende o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente Lula, disse que deixará o caso se o cliente tomar a decisão de firmar acordo de delação. “Ele não falou nada para mim nesse sentido”, afirmou.

Aécio, Jucá e Renan, os primeiro investigados de Fachin

O ministro Edson Fachin determinou ontem o envio dos inquéritos envolvendo os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) para a Polícia Federal.A decisão dá início ao processo de investigação na PF, que poderá solicitar quebras de sigilo telefônico e fiscal, além da oitiva dos próprios acusados. As investigações envolvendo outros parlamentares também deverão seguir o mesmo procedimento nos próximos dias.Aécio Neves e Romero Jucá são os que acumulam o maior número de pedidos de investigações na Lava-Jato, cinco ao todo. Renan Calheiros foi citado em quatro inquéritos envolvendo a Odebrecht.  (Agência Estado)

Cachaça impedia Odebrecht de pagar propina 2ª e 6ª

Hilberto Mascarenhas, apontado como o líder do Departamento de Propinas da Odebrecht – Jorge William / Agência O Globo

O Globo

O Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como o departamento de propina da empresa, não fazia pagamentos nem nas segundas, nem nas sextas-feiras. Isso porque era comum os funcionários responsáveis pela área faltarem nesses dias, por conta da “cachaça do final de semana”. Quem revelou essa rotina de pagamentos foi o delator Hilberto Mascarenhas Silva, chefe do setor. Ele acrescentou que, em ocasiões excepcionais, eram permitidos pagamentos nas segundas e nas sextas, desde que fosse uma emergência devidamente justificada “Tinha uma tentativa nossa, que funcionou muito bem, 80% (das vezes), que era não pagar nada nem segunda, nem sexta. Isso não era uma exigência nossa não, era uma exigência dos operadores de pagavam. Eles achavam que na segunda-feira muita gente faltava porque tomava cachaça no final de semana. E sexta o cara já estava na cachaça também, então não vinha trabalhar. Quando tinha coisa urgente, aí a gente entrava no processo de solicitação e exceção do que era urgente. Mas a ideia era ter pagamento só terça, quarta e quinta”, declarou Silva. Em seus depoimentos, o líder do departamento de propina confirmou que o codinome “Amigo”, que aparece na planilha da empresa, é uma referência ao ex-presidente Lula. Na delação, Silva negou que tenha sido solicitado a ele algum pagamento para o “Amigo”.

Fraudes em 4 obras em SP envolve Serra e Kassab

José Serra e Gilberto Kassab, ambos investigados na Lava Jato

Folha de S.Paulo – Mario Cesar Carvalho

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) costumava dizer que o túnel que Gilberto Kassab (PSD) planejava construir em 2009 na avenida Roberto Marinho, uma obra de R$ 2,3 bilhões, era “um shopping center da corrupção”.”Shopping” no sentido de que havia ali de tudo: suspeita de superfaturamento, cartel, pagamentos antecipados e alteração no projeto para favorecer empreiteiras.A delação da Odebrecht aponta que em pelo menos um ponto Haddad tinha razão. A obra foi direcionada para a empreiteira, segundo o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal: esse tipo de obra era uma especialidade da construtora.Outras grandes obras, sobre as quais havia suspeitas de corrupção, aparecem na delação da empreiteira, como a linha 2-verde do Metrô, o Rodoanel e a Arena Corinthians. Nas quatro obras, os pagamentos ilícitos da Odebrecht somam R$ 32 milhões. O maior deles, de R$ 17,9 milhões, foi pago na obra do Metrô.Na linha 2-verde do Metrô, um contrato de 1991 foi usado para retomar a obra em 2006, contrariando a lei que determina que um contrato público vale por cinco anos.A Odebrecht diz que conseguiu reativar o negócio pagando R$ 10 milhões ao então presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayse David, e R$ 3 milhões para dois diretores da companhia, Sérgio Brasil e Décio Tambeli. A obra ficou ficou R$ 37,7 milhões mais cara na retomada.