Denúncias contra Aécio e Serra podem ir para Moro

A eventual decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de limitar o foro privilegiado a quem cometeu o crime no mandato parlamentar pode ter consequências drásticas para os investigados da Lava Jato que estão hoje sob a jurisdição da Suprema Corte. Se prevalecer a proposta, do ministro Luís Roberto Barroso, boa parte dos inquéritos descerá imediatamente para a primeira instância.  A informação é de Mônica Bergamo, na sua coluna desta terça-feira da Folha de S.Paulo “É o caso, por exemplo, das investigações os tucanos Aécio Neves e José Serra. Eles são acusados de crimes quando ocupavam outros cargos. Os dois negam as irregularidades.” Dia ainda a colunista que por se tratar de norma processual, diz um magistrado, a aplicação é imediata. “E ninguém tem direito adquirido a um sistema que não funciona”, diz o mesmo ministro do Supremo.

ODEBRECHT DELATOU QUANDO JÁ ESTAVA EM DECLÍNIO

O Grupo Odebrecht já enfrentava dificuldades financeiras, agravadas pela Lava Jato, quando decidiu propor acordos de delação premiada de todos os executivos com papel relevante na negociação ou pagamento de propina. As investigações apontavam para o declínio e deterioração irreparáveis da empresa, com passivo várias vezes superior aos ativos. Mas a Odebrecht, agora, poderá culpar a Lava Jato por sua crise.
Alguns executivos da Odebrecht estavam relutantes quanto à delação, mas a empresa os premiou com dinheiro para que colaborassem.
Em 2015, a receita da Odebrecht caiu 12%, para US$ 39 bilhões, com prejuízo líquido de R$ 298 milhões.
 
A crise provocou demissões na Odebrecht. Os 181.556 funcionários em 2013 foram reduzidos para a 128.486 em 2015.
Emílio Odebrecht tentou salvar a empresa e tirar o filho Marcelo da prisão, ao trabalhar para que 77 executivos optassem pela delação.
O ex-executivo da Odebrecht Luiz Eduardo Soares disse que a propina para o “Almirante Braga” seria de um grupo de viúvas de almirantes.
 
O contrato de R$ 31 bilhões para a compra de submarinos, incluindo R$ 3,3 bilhões para a Odebrecht, era a fonte do propinoduto.
 
Interpelado pelo “Jornal Nacional, terça-feira (18), o coordenador do programa do submarino brasileiro, almirante Max Hirschfeld, afirmou que “inexiste” um “almirante Braga” na Marinha. Mas Hirschfeld, tanto quanto os cabeços de portos, sabem que o Comandante Braga existe.
Ex-presidente da OAS Léo Pinheiro confirmou ao juiz Sérgio Moro a interpretação da Lava Jato: a empreiteira contratava “palestras” de Lula para lavar a propina materializada pela reforma do tríplex do Guarujá.
 
O ministro Raul Jungmann (Defesa), deputado pelo PPS-PE, divulgou estudos para instalar a indústria de defesa em Pernambuco, a começar por unidades da Taurus, acusada de produzir armas que disparam acidentalmente, e a Ruag suíça, fabricante de pólvora e cartuchos.
Paulão (PT-AL) é honrosa exceção no triste show de deputados que furam a fila no embarque, no aeroporto de Brasília, para viagens semanais a Alagoas. Ele se submete à fila, democraticamente.
No primeiro bimestre de 2017, o polo de Manaus faturou R$11,8 bilhões, mais de 12% de crescimento em relação a 2016. Em dólar, o faturamento cresceu 45%, saltando para US$3,8 bilhões.
A Comissão Mista de Orçamento sai esta semana, ainda que o líder do PMDB não indique seu presidente, como lhe compete. Renan Calheiros retirou a escolha de Rose de Freitas (PMDB-ES) após ouvi-la afirmar que a oposição dele ao governo Michel Temer era pessoal.
Luiz Feral, do grupo que controla a agência Talk2, garante “completa lisura, transparência e respaldo da lei” na licitação da Embratur, de R$ 9 milhões, para contratar uma empresa de comunicação digital.
O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, que visita o País, nasceu no mesmo dia, mês e ano e na Santiago de Compostela da jornalista Maria del Carmen Tamanini, radicada em Brasília há anos.
…o futuro do PT deve ser tentar eleger apenas ex-BBBs.

Doloroso ver que o Partido dos Trabalhadores do Brasil – que implantou medidas significativas – simplesmente não pôde manter as mãos fora da caixa registradora

“Doloroso ver que o Partido dos Trabalhadores do Brasil – que implantou medidas significativas – simplesmente não pôde manter as mãos fora da caixa registradora. Juntou-se à elite extremamente corrupta, que está roubando o tempo todo, e desacreditou-se.” A frase é do linguista e filósofo americano Noam Chomsky, 89 anos, um dos maiores pensadores da esquerda da atualidade. Foi dita em uma de suas últimas entrevistas, dada ao site de notícias Democracy Now, e resume com perfeição a desilusão de parte significativa da esquerda mundial com o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aos poucos, assim como seu ícone Chomsky, ela desembarca do projeto PT.

Forte desilusão

O lance mais recente a dar força a esse movimento foi a divulgação do conteúdo das delações dos ex-executivos da Odebrecht escancarando a promiscuidade das relações entre os governos petistas e a empreiteira. Diante das provas indiscutíveis de conluio com a empreiteira baiana, muitos apoiadores do partido, alguns de primeira hora, estão revendo suas posições e já falam publicamente a respeito do assunto. Uma dessas pessoas foi a psicanalista Maria Rita Kehl, de São Paulo. “É claro que é muito decepcionante que Lula tenha sido delatado na Lava Jato. Ele não era uma pessoa tão bacana e tão íntegra”, disse em reportagem do Jornal “Folha de S. Paulo”.

“Sou um esquerdista desiludido. Acreditava que haveria uma mudança” Luis Fernando Verissimo, escritor
“Sou um esquerdista desiludido. Acreditava que haveria uma mudança” Luis Fernando Veríssimo, escritor
O desapontamento particularmente com Lula é um dos fatores a estimular a retirada do apoio da esquerda ao PT. Em sua fala, o marxista Chomsky é incisivo ao demonstrar o efeito nocivo que os ilícitos cometidos pelo ex-presidente provocou para o sonho de execução de programas de governo que, a princípio, deveriam ter sido regidos por princípios éticos e progressistas. Por isso, na sua crítica ao comportamento da esquerda na América Latina, o intelectual pede o surgimento de lideranças que tenham a honestidade como uma de suas marcas. “Espera-se forças mais honestas que, primeiro de tudo, reconheçam a necessidade de desenvolver a economia de uma maneira que tenha um alicerce mais sólido, não apenas baseado na exportação de matérias-primas e, em segundo lugar, sejam honestas o suficiente para desenvolver programas decentes sem roubar o público ao mesmo tempo.”

Até o Petrolão, a debandada mais expressiva do PT havia ocorrido no Mensalão, em 2005. Na ocasião, petistas históricos, como Chico Alencar e Plínio de Arruda Sampaio, deixaram o partido. De lá para cá, no entanto, a escalada de denúncias contra o partido causou a retirada gradativa de apoio de muita gente. Incluem-se aí o ator Antonio Fagundes e o escritor Luis Fernando Veríssimo. “No PT eu não voto nunca mais. Todo mundo que votava no partido fazia isso por uma integridade que estamos

“É claro que é decepcionante que Lula tenha sido delatado na Lava Jato” Maria Rita Khel, psicanalista
“É claro que é decepcionante que Lula tenha sido delatado na Lava Jato” Maria Rita Khel, psicanalista
vendo que não existe mais”, disse Fagundes. Veríssimo apresenta-se como um esquerdista desiludido. Declarou publicamente que se decepcionou com Lula, de quem foi eleitor. “Acreditava que haveria mesmo uma mudança na política brasileira.” Agora, a gravidade das denúncias da Lava Jato abala até mesmo quem havia se desencantado lá atrás. “Fiquei muito triste. E envergonhado”, desabafou Gilson Menezes, um dos fundadores do PT e hoje filiado ao PDT. “Houve um tempo em que eu colocaria minha mão no fogo por Lula. Hoje não mais. Também estou muito decepcionado com outros ex-companheiros, como José Dirceu e Antonio Palloci.”

A negociata na compra de cinco submarinos franceses ainda provoca indignação na Marinha. O objetivo do governo Lula, suspeitam oficiais submarinistas, não era equipar a Marinha, mas fazer a Odebrecht faturar. O Brasil teve de adotar uma “família” diferente de submarinos, a classe Scorpène francesa, considerada inferior aos novos modelos alemães. O Brasil já utilizava submarinos de concepção germânica.
A contratação da Odebrecht (sem licitação) pela estatal francesa DNSC foi “condição” do governo Lula para fechar a compra dos submarinos.
A DNSC foi acusada de pagar propina a integrantes dos governos da Índia e da Malásia para vender os mesmo submarinos de segunda.
A compra dos submarinos franceses, inferiores aos alemães, custará ao Brasil R$ 31 bilhões. E garantiu R$ 3,3 bilhões à Odebrecht.
O contrato bilionário dos submarinos fez a Odebrecht espargir propina. Só um ex-executivo confessou haver entregue R$17 milhões a petistas.

EU NÃO VOTO MAIS EM VOCÊ, DEPUTADO

 
CRÔNICA: DOUGLAS MENEZES
Eu não voto mais em você deputado. Porque você aposta na memória curta do povo, quando sonega direitos conquistados com muita luta, num sacrifício que custou vidas e anos de sofrimento. E mesmo assim, sem levar isso em conta, só enxerga os trinta por cento para quem se deve governar. Você faz um mandato de remendos. Emenda o que não presta para o povo pra se sair melhor na fita. É oportunista ao votar contra algo que se tornou fato consumado. No fundo, fica em paz com a consciência pelo desgaste do outros. Você não vive o país real, deslumbrado pelo artificialismo de Brasília, que desconhece as alegrias e as dores do dia a dia do povo. Fala das bases como mais uma coisa, se emociona de mentira, pois na verdade é frio e calculista, faz conta de como vai chegar lá de novo, e nesse modo de enganar tão próprio de nossos políticos vai seguindo a vida falando em ética, mas apegado às benesses de uma mandato cuja salário já é exorbitante e fora da realidade dos que batalham pela sobrevivência no cotidiano.
Eu não voto mais em você, deputado, que se mostra orgulhos, arrogante até , por conquistas onde o mérito não é seu, mas baseadas na despolitização, no fisiologismo, nas esmolas dadas aos mais carentes, no dinheiro das grandes corporações, dos já tão poderosos que irão cobrar de você a atuação e proteção dos seus interesses. Você não tem mérito nisso, porque, na verdade, investe no quanto pior, melhor, na concentração imoral de renda que esse país ainda ostenta e parece não ter fim. Você que não conhece as manhãs de chuva, as tempestades sem sol que a maioria passa, pois não lhe dói o desemprego e a falta de comida na mesa de quem nada tem.
Pois eu não voto mais em você, deputado, porque até a ignorância mais renhida chega ao limite um dia. E você enrolado nos escândalos, hipócrita, ainda fala em nacionalismo, em pátria, cujo sentido você não conhece. O sono um dia acorda, mesmo que tarde, para que se veja um horizonte diferente junto com os outros. Eu não voto mais em você, deputado.
Douglas Menezes,

21 de Abril de 2017.

Palocci faz 1ª reunião para delação com a Lava Jato

Folha de S.Paulo – Bela Megale e Letícia Casado

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci deu o primeiro passo para sua delação premiada. Há cerca de duas semanas ele teve uma reunião com a força-tarefa de Curitiba na Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde setembro de 2016. Pessoas ligadas a Palocci dizem que os principais temas que o político pretende tratar envolvem corrupção de empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras. Na lista também há fatos ligados ao ex-presidente Lula – de quem ele defendeu interesses econômicos – e às campanhas do PT. Também estava na reunião com a força-tarefa da Lava Jato o delegado Felipe Pace, que conduziu investigações que prenderam o político. Desde 2016 a PF não participa de delações negociadas pelo MPF e PGR (Procuradoria-Geral da República).Há um ano, o procurador-geral Rodrigo Janot entrou com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para proibir a PF de negociar delação premiada. Segundo a Folha apurou, a sugestão para que a PF sentasse à mesa partiu do empreiteiro Marcelo Odebrecht, que assinou delação em dezembro. Ele e Palocci estão presos na carceragem de Curitiba.Marcelo teria dito que enfrentou problemas em temas da delação sobre os quais os procuradores não tinham tanto conhecimento. Ele teria argumentado que a PF pode ajudar a dar foco em assuntos mais relevantes, daí a tentativa de Palocci de incluir os federais em seu acordo.A colaboração com o MPF é vista por especialistas como mais vantajosa, já que nela pena e multa são determinadas na negociação. Porém, dividir as tratativas com outro órgão pode ajudar a reduzir a pressão dos procuradores sobre o potencial delator.O advogado Roberto Batochio, que além de Palocci defende o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente Lula, disse que deixará o caso se o cliente tomar a decisão de firmar acordo de delação. “Ele não falou nada para mim nesse sentido”, afirmou.